sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Jesus: imprevisível demais para ser religioso.

Lendo os Evangelhos, imagino ser difícil chegar à percepção que teve o escritor Paulo Brabo. Em seu livro entitulado "Em Seis Passos, o Que Faria Jesus" (numa referência aparentemente irônica ao livro "Em Seus Passos o Que Faria Jesus"), ele exemplifica o comportamento inesperado do nosso Senhor diante de situações inusitadas:

            Não havia como fazer com que o Filho do Homem fizesse o que se esperava dele. O sujeito era indomável. Quando se esperava que ele curasse o paralítico que conseguíramos descer a muito custo pelo buraco no teto, ele perdoava os pecados do infeliz. Quando se esperava que ele despachasse a prostituta que veio embaraçá-lo num jantar oficial, ele fazia com que apenas ela se sentisse à vontade. Quando se esperava que ele curasse o leproso antes de tocá-lo impunemente, Jesus fazia o contrário. Quando Pedro oferecia num único gesto um elogio e uma boa intenção, Jesus chamava-o de Satanás. Quando vinham dizer que sua família estava aguardando lá fora Jesus esclarecia que sua família já o estava seguindo aqui dentro. Quando se esperava um mínimo respeito aos religiosos, ele garantia que as prostitutas chegavam ao céu antes deles... (BRABO, Paulo. Em Seis Passos o Que Faria Jesus, 2007.)

            Olhando para nós mesmos, não podemos condenar aquelas pessoas por seus preconceitos da pessoa de Jesus. Cometeríamos os mesmos equívocos se estivéssemos em suas peles (privilegiadas). Torceríamos o nariz hoje, ao contemplarmos o Salvador retornando à Terra e dizendo que gostaria de jantar em Brasília, com um famoso deputado corrupto, receptador de mensalões. Ficaríamos surpresos, ao vê-lo reprovar aquele pregador tão eloquente do programa evangélico que passa na TV, com o mesmo furor que o fazia com os fariseus de sua época. Já pensou, Cristo derrubando as barraquinhas de CDs e livros de pregações adjacentes a um templo cristão? "Vendilhões!!!" As reações de Jesus eram exatamente o inverso do que nós esperaríamos se estivéssemos lá, armados em nosso pretensioso "bom senso" que busca formatar a Graça de Deus. Se quisermos mesmo ser imitadores desse tal Filho do Homem, um ótimo começo seria buscar o contra-senso nas nossas ações e reações em favor da humildade. Bradamos não sermos os donos da verdade, a despeito do nosso inflado ego religioso que nos denuncia aos olhares mais críticos. Tudo o que Ele fez, e está registrado nos evangelhos, zomba até hoje da nossa religião individual. Às vezes nos gabamos tanto no estudo, ensino e teoria sobre a MORTE redentora dEle, que esquecemos ter Jesus também mostrado a aplicação da VIDA.

            Recomendo aos irmãos a leitura do livro. Edificante de verdade, sem blá-blá-blá gospel.