quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

2) Eu Sou o Caminho -- b) "Um Reino Dividido Contra Si"

Textos Base: "Jesus, porém, conhecendo-lhes [fariseus] seus pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado. E toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá."  Mateus 12:25
                          "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer [...] que há contenda entre vós. Quero dizer com isto que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido?[...]"  1 Co  1:10-12


                          Creio que só os textos bíblicos acima já tenham falado bastante. Por isso, não vou me alongar demais nesse texto. Só vou escrever algumas perguntas para a reflexão dos caros irmãos leitores:

                          Por que tantos nomes? Por que tanta divisão? Por que quando conheço um novo irmão a primeira pergunta que me faz é: "De que igreja você é? (dá vontade de responder: 'ué, a mesma que a sua!')"? Por que isso é necessário para autenticar o próximo como irmão? Não basta o sangue de Cristo? Por que apertos de mãos por cima dos muros? Por que essa colcha de retalhos é defendida a unhas e dentes como se fosse o próprio Reino de Deus?



2) Eu Sou o Caminho -- a) "Toda Religião tem Seus Erros"

Texto Base: "A Religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se das corrupções do mundo" Tiago 1:27


            Quando confrontados quanto aos escândalos, abusos, mentiras e intrigas que ocorrem dentro de suas denominações, os evangélicos logo chavanizam com a desculpa: "Ah, mas nenhuma religião é perfeita". Pois é, dá vontade de responder: "Então por que você não se contenta apenas em vestir a camisa da Religião Perfeita que é Jesus? Por que ao ouvir as verdades sobre a religião evangélica, dói e fere tanto o teu orgulho?"
              Nosso amado irmão e apóstolo Tiago, em sua carta, resumiu, em uma frase, todos os argumentos que postei até agora em meus textos. Guardar-se das corrupções do mundo ainda é bem destacado nos discursos pastorais. Ainda que todos admitam que a religião tem seus erros e que, entre eles, está o envolvimento da religião com a corrupção política (tanto com Política mesmo, quanto com a busca pelo poder dentro da própria denominação), todos agem como se, ser evangélico, fosse isenção de erro doutrinário e uma garantia maior de salvação perante as demais religiões, o grupo dos purificados e superiores.
                Mas o mais triste é a primeira parte do versículo. Parece que os órfãos, as viúvas, os doentes, os presos, os pobres, os famintos, os que passam frio nas ruas, etc. etc. etc. estão contando mais com a ajuda das instituições filantrópicas, espíritas kardecistas, católicos, e outros (não necessariamente nessa ordem)... aí o calo aperta. O que estão ensinando dentro desses templos? Os pastores estão pregando sermões sobre Mateus cap. 25? A carta de Tiago está sendo estudada nas escolas bíblicas? As denominações tem em sua estrutura um ministério de caridade?

               Eu sei que nosso amado irmão apóstolo já respondeu a quase 2000 anos atrás, mas vou repetir a pergunta mesmo assim: 

Qual é a Religião pura e Imaculada (que não tem erros)?

1) Não Julgueis -- d) "Aquele ali é Herege"

Texto Base: "Porque quem não é contra nós, é por nós" Marcos 9:40



               Mais uma arma da religião contra a liberdade que há em Cristo. Quando algumas verdades são ditas por alguns irmãos a respeito dos erros que o sistema religioso comete, ou por tradição, ou esporadicamente, logo surge esse chavão na boca ou na mente de alguém. Não importa se é verdade! Se fere a estrutura religiosa, por mais sensato, sábio e bíblico que possa ser, será considerado uma heresia ou um ataque contra o próprio Deus.
              Como não poderia ser tão diferente de sua mãe assim, a religião protestante age com tons sutis da santíssima inquisição medieval. Qualquer um que discorde do sistema religioso vigente é calado. Na época com torturas, atrocidades e fogueiras. Hoje, com desprezo, excomungação e preconceito.


            Não tenho eufemismos para declarar minha intenção, ao postar esses textos: apontar os danos que a religião evangélica causa na Igreja! E com isso, buscar abrir os olhos de alguns para que, assim como eu, muitos irmãos que conheço já enxergaram o quanto ela engana os santos. Podem me chamar de herege à vontade, eu sou mesmo! Herege da religião, não de Cristo! Podem me excomungar oficialmente, porque na prática eu me excomunguei da religião, mas não dos irmãos! Aposto que muitos leitores do meu blog devem me julgar assim, um herege. E tenho orgulho disso. Ser considerado um herege pela religião não é um privilégio apenas meu. Até Jesus foi acusado, pelos fariseus, de expulsar demônios por meio do poder do próprio Belzebu. Por que eu, mero pecador, não posso sofrer o mesmo constrangimento?
               Eu demorei muito a digerir a idéia, quando caiu a ficha. Eu amava frequentar os templos nos quais já me tornei membro ao longo da minha vida. Mas aos poucos consegui ir me descontaminando desses vícios de conceito que abordo neste blog e fui ficando cada vez mais convicto e seguro para publicar meus pensamentos. Hoje, não me recuso a ir a um templo. Mas minha motivação única é estar junto aos irmãos. Porque ainda considero que nossa fé é a mesma, Jesus Cristo, mesmo que a religião não seja. Vou sem problemas.
              O que os irmãos que me consideram herege não querem enxergar, é que religião evangélica e Reino de Deus não são a mesma coisa. Que ao entrar um templo evangélico, não se está entrando na Sala do Trono do Rei. Que ao entregar dinheiro num templo evangélico,  não se está pagando tributos ao Rei. Que ao dizer "sou evangélico" não significa ser um súdito do Rei. E que "aceitar" a Jesus num templo evangélico, não garante que se recebeu ao Rei. 

                   De que Reino você faz parte?

               

                    

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

1) Não Julgueis -- c)"Ele Tem o Dom da Palavra"

            Texto Base: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." Marcos 16:15

          Já ouvi esse chavão algumas muitas vezes. "Aquele irmão (ou pastor) tem o dom da palavra. A pregação dele é tremenda..."
      Meus amados, isto é mais uma mazela da religiosidade que contaminou nossa cristandade. Um modelo inspirado nas religiões gregas e romanas: um templo, onde há os leigos que ouvem a "pregação", e o clero, que detém todo o conhecimento e legitimidade para esta "pregação".


        Nós não fomos feitos discípulos para permanecer toda a nossa existência comparecendo ao templo para ouvir o "sermão" abençoado que o clérigo, formado em seminário, preparou com todo sua bagagem acadêmica. E que, para reforçar sua exclusiva autoridade, se auto-conclama porta-voz do Espírito Santo de Deus.
       Essa prisão religiosa, inibe e tira a responsabilidade dos membros de anunciar o evangelho a toda criatura, pois se há aquele que é perito em pregar, elas não tem o "dom da palavra" para fazer o mesmo. Joga-se então o dever de pregar a quem tem a capacidade para isso. Pregar sermão não necessariamente é pregar o Evangelho. Ir ao templo ouvir a Palavra não é suficiente para cumprir o -Ide-. Ouvir à Palavra nem sempre é dar ouvidos a Ela: muitas vezes é mera audiência (como já fiz muitas vezes).
        Será que esse modelo de condução da pregação do evangelho está mais para "Vinde ouvir o evangelho, ó todas as criaturas" do que o que Jesus nos ordenou fazer?

Ótimo vídeo para responder: http://www.youtube.com/watch?v=BzkAj4t2ihE



1) Não Julgueis -- b) "O Desviado"

Texto Base: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?"   Ezequiel 34:12

          Outro Jargão interessante: "desviado". Um rótulo preconceituoso e excluidor que condena um irmão que resolve sair da "igreja". É interessante como, no geral, as pessoas buscam a causa na vida da pessoa ausente, mas dificilmente a buscam dentro do próprio meio religioso de sua denominação. O número de "desviados" pode ser numeroso, mas uma venda parece impedir os irmãos de enxergar que algo ali dentro está muito errado.
          Claro que o motivo pode estar na própria pessoa. Ele pode ter saído de uma denominação para outra; pode ter saído da denominação para cultuar em sua própria casa, pode ter mudado de religião; pode ter voltado para uma vida de prática constante de antigos pecados, os quais fazia antes de se tornar um crente; etc. Os motivos podem ser os mais diversos, não pretendo enumerar algo incontável. 
            Muitos escolhem um local para congregar da mesma forma que escolhem qual o melhor mercado pra fazer compras, ou o melhor posto para abastecer seu carro: questão de gosto. A afinidade conduz o indivíduo a frequentar o local onde se sente melhor, mais acolhido, ou onde a música é melhor, ou a pregação é mais "forte". Se de alguma forma essas expectativas de entretenimento não são supridas, ele se afasta. E muitos são assim: estão ali para se servir de algo que o ambiente ofereça, não para servir os outros como membros do mesmo Corpo.
         Mas observe, quando muitos membros da denominação se afastam, aos poucos ou de repente, a causa raiz desse problema inevitavelmente é a falta de amor e cuidado. Somam-se a isso algum conflito de interesse, algum desentendimento sério, alguma ferida que não foi tratada, algum perdão que não foi liberado, ou até o que é muito comum, decepção com a liderança.
         Não há fórmula do bolo para definir a causa, mas uma coisa eu observei em todos esses anos: se a liderança (pastor ou pastores e presbíteros) estão na congregação para servir ao rebanho, este se mantém mais agregado, menos volátil, menos "rodoviária". Dificilmente, um grupo numeroso de pessoas vão voltar as costas para o restante. Se, pelo contrário, o(s) líder(es) está(ão) ali para "tosquiar as ovelhas" e "consumir suas gorduras", como o profeta Ezequiel aponta em seu livro, o rebanho inevitavelmente se dispersará, adentrando pelas portas novos incautos a cada ciclo de campanhas "evangelísticas" para atrair novos "membros".
         E na sua congregação? Além dos "desviados", alguém aponta ou julga também os "desviadores"?
            
           

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

1) Não Julgueis -- a) "Vamos à Igreja?"

          Texto Base: "Porque onde houver dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" Mateus 18:20


        Vamos à Igreja? Bem controverso esse primeiro chavão. Até porque existe a consciência generalizada de que ele é equivocado. Mesmo assim, continuam usando e mantendo a contaminação de conceito a seu respeito: associando o conceito de "igreja" ao templo físico e à denominação à qual se "pertence".
         Por isso, considero que essa consciência não se mostra suficiente para dispensar explicações sobre o que significa verdadeiramente a palavra "Igreja".  
       Etimologicamente é "chamado para fora", e vem do Grego Ekklesia. Mas nem sempre o sentido etimológico corresponde ao emprego prático da palavra ao longo dos séculos. veja o que diz a wikipedia:
        A Eclésia (em grego transliterado: ekklesia) era a principal assembléia popular da democracia ateniense na Grécia Antiga. Era a assembléia popular, aberta a todos os cidadãos homens com mais de dezoito anos. Foi criada por Sólon em 594 a.C.. Todas as classes de cidadãos podiam participar dela. 
        Então, façamos uma reflexão sobre o diálogo entre Pedro e Jesus, quando este declarou que a Pedra seria o fundamento da Igreja. Jesus não conversava em grego com os discípulos. Então, ele não disse a Pedro "edificarei a minha 'Ekklesia'". Os escritos em grego dos evangelhos tentaram dar o sentido de ajuntamento, assembléia, à Palavra do nosso Jesus, na sua língua original. Ou seja, conjunto de pessoas, grupo, reunião, mas principalmente Comunhão, em nome d'Ele, seja qual for a maneira.
       Aí vem a consciência comum dos evangélicos quanto ao assunto. Se você perguntar à maioria o que verdadeiramente é igreja, eles vão responder: "Igreja somos nós, templos do Espírito Santo...". Vão até citar a bíblia: "Onde houver dois ou três reunidos em meu Nome, ali estarei com eles." Pasmem, vão até dizer que o templo não é a Igreja. O mais incrível é que se você diz que se reune com irmãos somente na sua casa, ou num galpão por exemplo, e parar de frequentar qualquer denominação evangélica, vão contradizer todo o bonito discurso incial: "Ora, mas tem que ser membro de alguma 'igreja'..." ou: "tem que haver uma 'cobertura espiritual' do pastor..." ou ainda: "assim, sem 'igreja' para onde vão os dízimos?, etc... ou seja, contradição, reprovação, condenação, preconceito e altivez sócio-religiosa.
         Então por favor, meus amados irmãos evangélicos, parem de julgar aqueles que querem se reunir sob a bandeira anônima, ou adenominacional, ou que quer que seja em nome de Jesus. Passem a considerá-los tão abençoados e dignos da Comunhão de Jesus como os que seguem a Cristo dentro das denominações. Ou então, sugiro que mudem o texto bíblico para:
     "Porque onde estiverem reunidos o maior número possível de evangélicos, que frequentem dominicalmente um templo evangélico registrado, que recebam a cobertura espiritual de um pastor formado em seminário, ali sim, estarei com eles." 

          Assim, a contradição acabará e a posição religiosa terá a tão famosa "base bíblica".

Série "Chavões do Meio Evangélico"

             
              Olá meus irmãos, 

              Depois de mais de um ano sem publicar nada sobre nossa tão amada Igreja e nosso Senhor Jesus Cristo, aqui estou mais uma vez para iniciar uma série de pensamentos acerca do Reino. Em cada postagem, vou apresentar minhas reflexões, sem pretensão nenhuma de impor opiniões ou doutrina. Minha intenção é meramente estimular o pensamento e ponderação sobre o que estamos vivendo hoje, quanto ao aspecto "Deus" em nossa vida, e até que ponto a religião afeta este mesmo aspecto.
              
              Seguindo o conselho do nosso irmão amado e apóstolo, Paulo, que recomendou: "Não vos conformeis com este século, mais transformai-vos pela renovação da vossa mente." Romanos 12:2

               Vou dividir as postagens em 5 temas:
                       - Não Julgueis;
                       - Eu Sou o Caminho;
                       - Eu Sou o Bom Pastor;
                       - Se Fizeste aos Pequeninos, a Mim Fizeste;
                       - Nem Neste Monte Adorareis;

               Fiquem à vontade para comentar, criticar, concordar e divulgar o blog!