domingo, 31 de março de 2013

2) Eu Sou o Caminho -- d) "Casamento no Religioso"

Textos-base: "E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus. E foi convidado Jesus e seus discípulos para as bodas[...] e logo que o mestre-sala provou a água feita em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre sala ao noivo."  João 1:1-2;9
                    "O Reino dos Céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas do seu filho" Mateus 22:2

                     Antes que me perguntem, eu me casei com minha esposa no cartório do 2º ofício em Valença-RJ, e mais tarde, celebrei a união com ela no templo da denominação metodista, da mesma cidade, com um pastor conduzindo. Pois então qual minha intenção com esse texto? Mostrar mais uma vez que uma coisa é a religião, outra é o Reino de Deus que aquela diz ser, ou proclamar de forma autêntica. Vamos às minhas explicações.
                   Todos nós, irmãos em Cristo, sabemos que Deus fez o homem e a mulher, para serem uma só carne, se darem em casamento, e procriarem e encherem a terra. É só recorrermos ao livro do Gênesis. Desde o início, então, essa união é abençoada por Deus, pois cumpre o seu propósito de família e procriação. 
                         Da mesma forma, como fui da religião evangélica por muitos anos, e não deixo de citar e admitir que me serviu para ensinar-me grande parte da verdade, sei que esta religião se gaba de seguir a Bíblia de forma integral, existindo até o termo em latim, sola scriptura, como fundamento protestante, baseando todas as diferentes doutrinas (como se denominam as diversas ramificações ideológicas da religião). 
                         Diante da bênção que é o casamento, e da bandeira sola scriptura, pergunto: qual o embasamento bíblico para o casamento no religioso? Onde, no texto bíblico, algum sacerdote ou pastor celebra algum casamento? Onde é ensinado pelos apóstolos, o que se deve dizer, quando se deve trocar as alianças, ou qual juramento proferir?
                        Pode ser lindo, não discordo que Deus de fato abençoa, normalmente é o sonho de toda a noiva, não há mal nenhum em ser celebrado assim, é salutar, público, honesto, verdadeiro, e solene. Mas definitivamente não é bíblico, como se usa no meio evangélico para autenticar algo como sendo de Deus.
                       Essa cerimônia religiosa, praticada nos templos evangélicos, é herança direta dos sacramentos católicos, o que mais uma vez reforça minhas afirmações anteriores de que, o protestantismo nasceu do catolicismo, e a cerimônia religiosa do casamento é um dos sinais disso.  O ritual do casamento é uma criação religiosa, que virou costume do cristianismo, enraizou-se na cultura religiosa cristã e é vista como um ato divinal. 
                        Meus amados, não sou contra nem condeno a cerimônia religiosa para se casar. Não há pecado nenhum nisso, até porque Jesus, nem qualquer apóstolo, sequer legislou sobre como deve ser um ato matrimonial. Mas é por isso mesmo que condeno o senso comum, no meio evangélico, que o casamento só será abençoado e legitimado por Deus se for celebrado por um pastor, no templo evangélico, se os padrinhos forem evangélicos, etc. condeno também o absurdo de algumas denominações sugerirem um "re-casamento" entre cônjuges que se uniram no espiritismo ou catolicismo. Por quê? O casamento não foi válido pra Deus? Os dois não se uniram em uma só carne? Para que essa altivez em supor que o casamento não foi válido só porque foi celebrado apenas pelo juiz, ou por um sacerdote ou líder de outra religião? Se há alguma dúvida sobre a base espiritual do casamento, não basta orar e entregar a união diariamente nas mãos de Deus?
                 Na bíblia, à qual eu recorro sempre para aprender sobre Deus, mostra que os casamentos eram celebrados pelos pais, que davam suas filhas em casamento aos noivos. E no caso da parábola de Jesus, em Mateus 22:2, um Rei (cargo político) celebrou as festas (bodas) do casamento de seu filho. Jesus, como mostra-se em João capítulo 2, transformou a água em vinho em uma FESTA de casamento à qual foi convidado, não a uma cerimônia religiosa.

                Além do casamento no religioso, quantas práticas agora você consegue enxergar que são acréscimos disfarçados de mandamentos de Deus ou necessidades espirituais indispensáveis? Observe.

sábado, 30 de março de 2013

2) Eu Sou o Caminho -- "c) Vamos à Casa do Senhor"

Texto-base: "... e Salomão lhe edificou casa; Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?" Atos 7:47-50


          A cena é mais ou menos a mesma pelas denominações espalhadas por aí. Todos reunidos, e o pastor diz: "Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor!!", citando o primeiro versículo do Salmo 122:1. E todos respondem com um 'aleluia' ou um 'glória a Deus', entendendo e concordando por estar ali, no templo. Afinal, qual é a casa do Senhor? O próprio Senhor perguntou por meio do profeta: "que casa me edificareis?" A anestesia religiosa é tão poderosa, que todos conhecem (ou deveriam conhecer) o discurso de Estêvão, mas continuam dizendo "amém". Amam o templo que frequentam, como se realmente fosse a casa do Altíssimo. 
          No evangelho de João, consta que Jesus respondeu assim à samaritana: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai", mostrando que não faz questão de especificar um lugar para termos comunhão com Ele. Depois que o véu se rasgou, não há mais um "lugar santo". Jesus quebrou esse paradigma há aproximadamente dois mil anos. Mas a religião fez questão de resgatar o solene lugar de adoração, diferenciando-o de nossos lares ou locais de trabalho, ou qualquer outro, como o lugar mais adequado a se comportar como filhos de Deus. O lugar onde devemos ser mais santos. Os discursos contrariam isso, mas só a existência do templo arranca toda a máscara. Os pastores pregam que devemos ser em casa e na rua como somos na "igreja", mas a própria religião coloca seus templos como a casa onde você está diante do Pai; onde você deve se comportar melhor; dar o seu melhor pra Deus. Essa distorção é muito sutil, mas é real.
                 Observe a capa desta revista de escola bíblica dominical da editora Cultura Cristã para o 2º trimestre de 2013:

               Ensinam isso desde a infância: o tabernáculo, o templo de Salomão, e o templo cristão. Este último, colocado como a continuação equivocada da necessidade de se construir o lugar santo, mesmo depois do rasgar do véu, com a morte do Cordeiro. A motivação não é difícil de deduzir: existindo um templo, existe um ou mais sacerdotes sobre todos. Havendo sacerdote, supostamente encarna-se a voz de Deus, e tudo o que é dito, é da parte de Deus. O templo-casa-do-Deus-Altíssimo mantém o sistema religioso estanque e inatingível. Não há espaço para o pensamento crítico, somente para a manipulação e o controle. A Casa do Senhor conota infalibilidade, perenidade, perfeição e santidade. Se esse conceito de Casa do Senhor se desvincular do templo, ou local onde os crentes se reúnem, só fica o verdadeiro e único sentido de se reunir: comunhão com os irmãos em Cristo. Um líder estará ali para servir e ser o menor de todos. Mais um no meio do grupo, pecador também, conselheiro e servil. Ungido sim, como qualquer outro irmão, sem ser o único ou mais ungido de todos. E toda essa ideia de "igreja" que temos, cai por terra.  
           
               Porque ao invés de Casa do Senhor, não chamamos de Casa dos Irmãos? Ficaria mais coerente com a realidade. Deixemos "Casa do Senhor" para o antigo templo que edificou Salomão. o mesmo que Jesus disse derrubar e, em três dias, reedificá-lo. Sabemos o verdadeiro sentido do que nosso Senhor quis dizer com reedificar, não é?