sábado, 30 de março de 2013

2) Eu Sou o Caminho -- "c) Vamos à Casa do Senhor"

Texto-base: "... e Salomão lhe edificou casa; Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?" Atos 7:47-50


          A cena é mais ou menos a mesma pelas denominações espalhadas por aí. Todos reunidos, e o pastor diz: "Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor!!", citando o primeiro versículo do Salmo 122:1. E todos respondem com um 'aleluia' ou um 'glória a Deus', entendendo e concordando por estar ali, no templo. Afinal, qual é a casa do Senhor? O próprio Senhor perguntou por meio do profeta: "que casa me edificareis?" A anestesia religiosa é tão poderosa, que todos conhecem (ou deveriam conhecer) o discurso de Estêvão, mas continuam dizendo "amém". Amam o templo que frequentam, como se realmente fosse a casa do Altíssimo. 
          No evangelho de João, consta que Jesus respondeu assim à samaritana: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai", mostrando que não faz questão de especificar um lugar para termos comunhão com Ele. Depois que o véu se rasgou, não há mais um "lugar santo". Jesus quebrou esse paradigma há aproximadamente dois mil anos. Mas a religião fez questão de resgatar o solene lugar de adoração, diferenciando-o de nossos lares ou locais de trabalho, ou qualquer outro, como o lugar mais adequado a se comportar como filhos de Deus. O lugar onde devemos ser mais santos. Os discursos contrariam isso, mas só a existência do templo arranca toda a máscara. Os pastores pregam que devemos ser em casa e na rua como somos na "igreja", mas a própria religião coloca seus templos como a casa onde você está diante do Pai; onde você deve se comportar melhor; dar o seu melhor pra Deus. Essa distorção é muito sutil, mas é real.
                 Observe a capa desta revista de escola bíblica dominical da editora Cultura Cristã para o 2º trimestre de 2013:

               Ensinam isso desde a infância: o tabernáculo, o templo de Salomão, e o templo cristão. Este último, colocado como a continuação equivocada da necessidade de se construir o lugar santo, mesmo depois do rasgar do véu, com a morte do Cordeiro. A motivação não é difícil de deduzir: existindo um templo, existe um ou mais sacerdotes sobre todos. Havendo sacerdote, supostamente encarna-se a voz de Deus, e tudo o que é dito, é da parte de Deus. O templo-casa-do-Deus-Altíssimo mantém o sistema religioso estanque e inatingível. Não há espaço para o pensamento crítico, somente para a manipulação e o controle. A Casa do Senhor conota infalibilidade, perenidade, perfeição e santidade. Se esse conceito de Casa do Senhor se desvincular do templo, ou local onde os crentes se reúnem, só fica o verdadeiro e único sentido de se reunir: comunhão com os irmãos em Cristo. Um líder estará ali para servir e ser o menor de todos. Mais um no meio do grupo, pecador também, conselheiro e servil. Ungido sim, como qualquer outro irmão, sem ser o único ou mais ungido de todos. E toda essa ideia de "igreja" que temos, cai por terra.  
           
               Porque ao invés de Casa do Senhor, não chamamos de Casa dos Irmãos? Ficaria mais coerente com a realidade. Deixemos "Casa do Senhor" para o antigo templo que edificou Salomão. o mesmo que Jesus disse derrubar e, em três dias, reedificá-lo. Sabemos o verdadeiro sentido do que nosso Senhor quis dizer com reedificar, não é?


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